"Bom dia a todos,
Chamo-me Adélia e trabalho na Cáritas
de Coimbra
Foi há cinco anos e meio que nasceu o
Fernando. Um bebé lindo, grande e muito calmo. Aos dois anos de idade foi confirmado que ele tinha
perturbações de especto de autismo. Não foi surpresa para mim, pois já sentia
que algo havia de diferente, o que foi bom pois senti-me preparada para receber
a notícia mais tranquila e disposta a lutar para o desenvolvimento dele ser o
melhor possível. O Fernando teve de imediato tudo o necessário para começar a
sua caminhada com o seu companheiro - o autismo. Mas mesmo tendo ele todas as
terapias eu senti necessidade de procurar algo mais e como mãe atenta que
sou procuro descobrir todos os conhecimentos, experiências e ouvir testemunhos
para melhorar o meu desempenho e da família no desenvolvimento do meu filho.
Quando nasceu este grupo de pais
inovadores, alguns inseguros, outros descontraídos e confiantes, e outros mais
atormentados, mas todos com uma característica em comum – um filho(a) autista
foi o mesmo que encontrar uma casinha de abrigo e acolhimento. Foi uma forma de
partilhar os momentos dos nossos filhos, ouvir com carinho um desabafo mais
sofrido de uma mãe, tirar uma dúvida a um pai menos preparado e ganhar de todos
a união e força para caminhar lado a lado com eles, tentando fazer e dar o
melhor de nós para que sejam felizes e integrados na sociedade. Este grupo tem
já um percurso de quase um ano e aquilo que sinto é que estamos muitos unidos,
mais calmos com redobrada confiança em tudo o que fazemos. As nossas crianças têm
um cromossoma diferente, mas são o mais lindo arco iris das nossas vidas. E é
aqui que o grupo Pais em Partilha, junto com as psicólogas que nos acompanham -
são elas pessoas sensíveis e humanas que voluntariamente deixam a sua vida
particular por algumas horas para conviver com as nossas partilhas mensais ao
domingo. Presentemente há uma preocupação deste grupo, querer conhecer e ajudar
novos pais que nos procurem para poder fortalecer e repartir os nossos
sentimentos e experiências e dar-lhes força por só agora conhecerem o
diagnóstico ou até já o terem conhecido há muito tempo e não tenham por diversas
razões dar a cara com medo do preconceito e do rótulo que o seu filho possa
ter. Com o nosso acolhimento poderão sentir-se mais fortes, atuantes e
autênticos. Com o nosso amor vamos salvar os nossos génios das mãos do autismo.
São crianças especiais, que semeiam sorrisos, com direito a uma história
Maiúscula."
Adélia Marcos
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