quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Testemunho

"Bom dia a todos,
Chamo-me Adélia e trabalho na Cáritas de Coimbra
Foi há cinco anos e meio que nasceu o Fernando. Um bebé lindo, grande e muito calmo. Aos dois anos de idade foi confirmado que ele tinha perturbações de especto de autismo. Não foi surpresa para mim, pois já sentia que algo havia de diferente, o que foi bom pois senti-me preparada para receber a notícia mais tranquila e disposta a lutar para o desenvolvimento dele ser o melhor possível. O Fernando teve de imediato tudo o necessário para começar a sua caminhada com o seu companheiro - o autismo. Mas mesmo tendo ele todas as terapias eu senti necessidade de procurar algo mais e como mãe atenta que sou procuro descobrir todos os conhecimentos, experiências e ouvir testemunhos para melhorar o meu desempenho e da família no desenvolvimento do meu filho.

Quando nasceu este grupo de pais inovadores, alguns inseguros, outros descontraídos e confiantes, e outros mais atormentados, mas todos com uma característica em comum – um filho(a) autista foi o mesmo que encontrar uma casinha de abrigo e acolhimento. Foi uma forma de partilhar os momentos dos nossos filhos, ouvir com carinho um desabafo mais sofrido de uma mãe, tirar uma dúvida a um pai menos preparado e ganhar de todos a união e força para caminhar lado a lado com eles, tentando fazer e dar o melhor de nós para que sejam felizes e integrados na sociedade. Este grupo tem já um percurso de quase um ano e aquilo que sinto é que estamos muitos unidos, mais calmos com redobrada confiança em tudo o que fazemos. As nossas crianças têm um cromossoma diferente, mas são o mais lindo arco iris das nossas vidas. E é aqui que o grupo Pais em Partilha, junto com as psicólogas que nos acompanham - são elas pessoas sensíveis e humanas que voluntariamente deixam a sua vida particular por algumas horas para conviver com as nossas partilhas mensais ao domingo. Presentemente há uma preocupação deste grupo, querer conhecer e ajudar novos pais que nos procurem para poder fortalecer e repartir os nossos sentimentos e experiências e dar-lhes força por só agora conhecerem o diagnóstico ou até já o terem conhecido há muito tempo e não tenham por diversas razões dar a cara com medo do preconceito e do rótulo que o seu filho possa ter. Com o nosso acolhimento poderão sentir-se mais fortes, atuantes e autênticos. Com o nosso amor vamos salvar os nossos génios das mãos do autismo. São crianças especiais, que semeiam sorrisos, com direito a uma história Maiúscula."
                                                                                                                            Adélia Marcos 

1 comentário: