No dia 6 de dezembro de 2015 o grupo PaisPar celebrou o seu 3º aniversário e acolheu novos
pais para o novo grupo que irá arrancar formalmente no dia 10 de janeiro de 2016.
Na brincadeira acerca de que forma poderíamos distinguir o nome dos dois grupos atualmente
existentes, os pais do grupo 1 afirmaram “Nós éramos os “Pais” e agora temos o “Par” (grupo
2) – juntos somos o PaisPar!”
Neste encontro do dia 6 de dezembro de 2015 foram revisitadas as expetativas, medos, dons e
pesadelos partilhados pelos pais no início do grupo (8 de dezembro de 2012). Os pais foram
convidados a partilhar como se sentem no presente, o que mudou, o que se manteve, o que o
grupo trouxe à vida de cada um. Seguem excertos dos testemunhos riquíssimos dos pais do
grupo 1 e do grupo 2:
“Partilhei no início que não receava aquilo que não conhecia, mas agora tenho medos. E ainda
bem que os tenho: são eles que me fazem andar para a frente”
“O Amín é a nossa fortaleza”
“Os medos deixam de existir e dão lugar ao orgulho”
“São mais os momentos bons, mas de vez em quanto as pilhas também se gastam. Mas a
esperança está cá!”
“Devemos procurar dentro de nós humildemente como nós eramos antes disto tudo, do
autismo”
“Eu costumava dizer que precisava de um milagre e o meu marido disse-me uma coisa que me ficou no coração: O milagre está aqui, está vivo”
“Temos um “Adoro-te papá!” que me deixa tão feliz… Não diz muitas coisas, mas diz muitas
coisas interessantes. O futuro é interessante. Mais do que o presente!”
“Eu sinto-me como se sempre tivesse estado aqui. Identifico-me com tudo aquilo que foi dito. O
que me ajudou no início foi ir à internet ler o que os autistas adultos dizem e o que eles dizem é
que “Só querem ser felizes!” E é isso que nós fazemos: com que a Beatriz seja feliz”
“Vivo no presente. Sou híper-feliz e pus-me a pensar por que é que sou feliz: em parte porque
tenho disponibilidade para estar com a minha filha e também porque tenho um trabalho muito
estimulante intelectualmente que me faz não ser só a mãe da Beatriz”
“Eu acredito muito! O Pedro tem evoluído muito e eu amo-o muito! Ele é muito querido… é um
doce”
“Este grupo foi muito importante para mim e apanhou-me numa fase em que praticamente
não tínhamos apoio nenhum. Foi muito importante para me preparar emocionalmente para o
que vinha. Estou a gostar mais de ser pai agora do que há 17 anos atrás”
“Um dia que eu não venha aqui ao encontro é complicado. Faz-me bem! A primeira coisa que o
meu filho faz agora é pedir um beijo”
“O que mais alterou em mim foram as expetativas em relação ao meu filho: antes do
diagnóstico e depois do diagnóstico. Não criando expetativas, por um lado, não fico desiludido
e por outro lado ele surpreende-nos sempre”
“Isto(diagnóstico) para mim foi horrível : foi sofrimento, ir lá ao fundo e ficar lá muito tempo.
Quando tive um filho a minha expetativa não era ter um filho autista. Este grupo ajudou-me
muito. A “negridão” toda já se foi. Pensamos no presente e naquilo que o André faz todos os
dias”
“Com o João aprendi a ter mais paciência. Ele obriga-nos a acalmar um bocado e a apreciar
mais as coisas. Celebramos as pequenas vitórias com outro entusiasmo”
“A nossa abordagem sempre foi a de ver como podemos transformar os nossos medos em
forças. Em relação a este grupo, tenho boas expetativas”
“As expetativas é que nos fazem andar para a frente, ainda que não devamos fazer disso as
prioridades da nossa vida”
“Em dias de frustração e algum desespero na convivência daquilo que são as nossas convicções
e a realidade da comunidade escolar e da sociedade em geral temo-nos uns aos outros”


